Já os antigos diziam – “Quem muito trabalha pouco tempo tem para pensar”, e por incrível que pareça essa frase continua a fazer sentido actualmente.O Produtor Florestal Português tem sido alvo constante de ataques de supostos intelectuais, indivíduos de fato e gravata que se tomam por detentores da razão, mas que apenas detêm o talento necessário para “rebocar” palavras em artigos de opinião. Não fosse essas obras contribuírem para desinformar a população e talvez isso até fosse aceitável.

Nem parece que o Estado tinha preparado para 2019 um imposto suplementar para a indústria silvícola, uma “contribuição específica para a reabilitação da floresta”, que os madeireiros e a indústria de celulose teriam de pagar. Esse imposto não chegou a ser aplicado em 2019, no entanto o Ministério do Ambiente disse que a taxa de conservação dos recursos florestais está a ser “analisada” noutros moldes, nomeadamente perante a “necessidade de criar uma contribuição para a conservação dos recursos florestais” a médio prazo, isto é, o imposto irá acabar por surgir de qualquer forma.

MAS como é possível que tal seja sequer considerado? Das duas uma: não conhecem o sector e não sabem o que dizem ou são indivíduos completamente perversos.O sector silvícola tem sido sobrecarregado com impostos e encargos e não apenas em sede de IVA e IRC, mas também com todos os outros impostos como o de circulação, pagamentos por conta, IMI`s, impostos de sêlo, os impostos dos combustíveis, oficinas, mão-de-obra, peças, óleos, seguros, formações, certificações, etc… Isto para além deste sector estar sob um escrutínio constante em todas as operações de campo inerentes à sua actividade em que o risco de incorrer em infracções mínimas é elevado e as penalizações pesadissimas, com multas totalmente desajustadas à rentabilidade do sector.

Para além de imoral seria totalmente irresponsável penalizar ainda mais quem produz no sector silvícola e prova disso é a constante redução de rentabilidade que resulta na elevada taxa de abandono da floresta, por esta ter deixado de gerar interesse ao seu proprietário. E não é com um imposto suplementar que se irá fomentar a sua gestão, aliás só irá motivar para que se deixe de investir em povoamentos florestais produtivos e bem geridos.

Também se pode considerar uma ingenuidade enorme a de quem defende a criação de mais um imposto sobre este sector, isto porque todos vemos notícias e sabemos que mesmo havendo os apoios necessários, dificilmente estes chegam a ser aplicados de forma eficiente. É fácil lembrar a gestão do património público e o caso do Pinhal do Rei.

É por isso angustiante que os produtores florestais virem a cabeça para o lado e assobiem como se fosse normal, não é. E a continuar assim, mais dia menos dia, irá ser aplicada mais uma taxa em que uma vez mais o silvicultor, que está entre a espada e a parede, irá pagar pela mesma medida dos que lucram milhões.

 

Rendimento empresarial líquido da agricultura.